Vocês se negaram, desde o começo, a me aceitar do jeito que eu era. Nasci sob signo da desaprovação, sabe-se lá por quê. Desde pequena, recordo bem disso, nada que partisse de mim agradava vocês. Nunca um elogio foi feito, a coisa alguma; jamais um carinho. Sequer um um olhar afetuoso eu lembro de ter recebido.Sério, não tenho mémoria dos seus olhos apontando em minha direção, em momento algum. E, conforme fui crescendo, esse abismo parecia ir aumentando. Ao seu lado, aquela mulher fria, dita minha mãe, toda “íntegra e caridosa”, absolutamente preconceituosa e, pior, orgulhosa da sua ignorância. Acho que herdei essa frieza prática de vocês. E nem isso lhes fez gostar um pouco de mim. […] O amor, o amor, o amor. Vá para a puta que o pariu o amor. Todo esse imperativo de amar é puro masoquismo. De ser amado, mero sadismo.
fernanda young, em Tudo o que você não soube